A história do café em Juiz de Fora é história de estrada, não de lavoura. A cidade nasceu num caminho aberto para ligar as minas ao Rio de Janeiro e cresceu movendo o café que outras regiões plantavam, papel que ela cumpre até hoje, agora com torrefação no lugar da tropa.

Embalagens de café especial Loir em escada de pedra, cafezal ao fundo, Serra do Brigadeiro, Minas Gerais

O Caminho Novo e o povoado que virou cidade

Por volta de 1703 abriu-se o Caminho Novo, rota criada para ligar as minas ao Rio de Janeiro por terra. Ao longo dele se formou o povoado de Santo Antônio do Paraibuna, origem de Juiz de Fora. A cidade não começou por causa de uma lavoura nem de uma jazida: começou porque alguém precisava passar por ali carregado. Esse detalhe de origem explica quase tudo o que veio depois.

Embalagem de café especial Loir 500g sobre pedra no pasto, cafezal ao fundo, Serra do Brigadeiro, Minas Gerais

A União e Indústria, uma rodovia construída para o café

Em 1861 foi inaugurada a Estrada União e Indústria, 144 quilômetros entre Petrópolis e Juiz de Fora, a primeira rodovia macadamizada do país. Ela nasceu para escoar o café da região até o porto do Rio. O problema que aquela obra resolvia tinha nome: tempo. Cada dia a menos entre a fazenda e o porto era um dia a menos de saco de café balançando no lombo de mula.

Juiz de Fora virou ponto de parada, de armazenagem e de negócio nessa linha. Comércio, hotelaria, bancos e indústria vieram atrás do que passava, não do que se plantava aqui.

Os imigrantes alemães e os bairros que ficaram

Para tocar a obra da estrada, a companhia trouxe imigrantes alemães, que se fixaram na cidade e deram origem à colônia de onde saíram bairros como São Pedro e Borboleta. É a ponte mais concreta entre o café e o mapa de Juiz de Fora: quem mora nesses bairros mora num endereço que existe porque o café precisava sair de Minas mais rápido.

O que Juiz de Fora não é

Juiz de Fora não é cidade produtora de café, e vale dizer isso com todas as letras. O que aparece de lavoura no município é quintal, não é economia. O que a cidade sempre teve foi rota, comércio e, mais tarde, indústria.

Ou seja: quem vende café aqui vende café de outra região. A diferença entre uma marca e outra não está no que a cidade planta, está no que cada uma faz com o grão depois que ele chega.

A parte da história que não se romantiza

Falar da riqueza cafeeira da região sem falar em escravidão seria mentir por omissão. A fortuna que ergueu casarões, financiou estradas e sustentou o comércio da Zona da Mata no século XIX foi construída sobre trabalho escravizado.

Por isso, quando se conta essa história aqui, cita-se a estrada, os tropeiros, o comércio e os imigrantes. A fazenda de café do século XIX não é objeto de saudade, e não vai virar estampa de embalagem.

De onde vem o café que torramos em Juiz de Fora

A Serra do Brigadeiro fica no extremo norte da Mantiqueira, ainda na Zona da Mata mineira, a algumas horas de carro de Juiz de Fora. É serra alta, com um parque estadual protegendo as cabeceiras, e os cafezais ficam bem abaixo dos picos.

De lá vem o café da Loir: 100% arábica, cultivado entre 1.000 e 1.200 metros em Minas Gerais, blend de natural com cereja descascado, torra média, xícara achocolatada com doçura, acidez e corpo equilibrados. A Loir foi fundada em 2021 por Loir Cloves Pereira, que tem mais de 30 anos de mercado de café, e Juiz de Fora é hoje o maior destino isolado da loja, embora a gente envie para todo o Brasil.

Antes o tempo era da estrada. Hoje é do estoque.

O intervalo entre a lavoura e a xícara sempre existiu. No século XIX ele era imposto pela distância: tropa, estrada de terra, porto, navio. Ninguém escolhia esperar, esperava-se porque não havia jeito.

Hoje a estrada não é mais o gargalo. O tempo que se acumula entre a torra e o café coado é decidido na operação de quem torra. Lote enorme torrado de uma vez precisa de semanas ou meses de estoque e de gôndola até acabar, e café torrado muda nesse período: os compostos aromáticos são voláteis e vão embora, o gás carbônico retido no grão se dissipa, e o achocolatado que estava nítido na semana da torra vai ficando plano. O café segue bom de beber, mas perde definição. Lote pequeno permite girar rápido, e é por isso que a Loir torra toda semana, em pequenas quantidades.

Daí a data de torra ser mais informativa que a data de validade. Validade diz até quando aquilo é seguro. Data de torra diz em que ponto da própria curva o café está quando você abre o pacote. A informação que a estrada do século XIX não conseguia dar, e que a gôndola até hoje não dá, é exatamente essa.

Se quiser experimentar o café da Serra do Brigadeiro torrado aqui na cidade, comece pelo pacote de 500g em grãos ou pelo 250g moído, se ainda não tem moedor em casa. Para quem já tomou e adotou, tem o 1kg em grãos.

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